"A leitura faz ao homem completo; a conversa, ágil, e o escrever, preciso."
(Francis Bacon)
Concordo plenamente, por isso resolvi compartilhar aqui minhas leituras e algumas escritas baseadas naquilo que costumamente leio.
Sinta-se à vontade!

19 de dez de 2016

Fugindo de Deus

Leitura: Jonas 1.1-5, 17
Jonas é uma apresentação do evangelho em forma de história, uma história de pecado e graça, de desespero e livramento. Ela revela o fato de que embora você e eu sejamos grandes pecadores, Deus é um grande Salvador e conquanto nosso pecado vá longe, sua graça vai mais longe ainda.
Verso 1: E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Jonas 1:1
Quem era Jonas?
·         Filho de Amitai
·         Quando jovem profetizou um período de potência militar e prosperidade econômica em Israel e assim aconteceu (2 Re 14.23-27 – restauração das fronteiras de Israel por Jeroboão)
·         Único profeta mandado para pregar uma mensagem de arrependimento e misericórdia aos gentios.
·         Obstinado, irritado, mal-humorado, impaciente, nacionalista.
Uma razão que torna a história de Jonas tão importante e atual para fortalecer nossa caminhada de fé é que
Jonas não é um herói muito elevado e distante, com quem não possamos nos identificar, descobrimos em Jonas um companheiro na nossa incapacidade. Mas o tempo todo Deus está trabalhando na incapacidade de Jonas – e apesar dela – e atingindo seus propósitos nele.
Quem é a família cristã nos dias de hoje? Muito tem se falado sobre a nova família contemporânea. Com valores corrompidos o mundo impõe um novo modelo de família. Mas a família cristã segue os padrões bíblicos nos fundamentos de sua formação: Marcos 10.7-9: Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, e serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
Verso 2: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença.
O livro de Jonas é uma narrativa direta e sem rodeios, já no segundo versículo ficamos sabendo da missão que Deus dá a Jonas: entregar pessoalmente a mensagem de julgamento de Deus a uma cidade perversa e inimiga de Israel. Deus enviou Jonas para salvar a capital assíria, Nínive, da destruição. Para Israel essa missão representaria risco à segurança nacional.
Muitas vezes os planos de Deus parecem contraditórios aos nossos olhos, nesses momentos nossa fé é colocada à prova.
De igual modo a palavra do Senhor veio à cada membro da família cristã dizendo: Sujeitai-vos uns aos outros em amor! (Efésios 5.21-33; 6.1-4). O modelo de relacionamento familiar desenhado por Deus desempenha um papel de sal da terra e luz do mundo numa época de grande perversidade. A família cristã de hoje representa para o mundo o que Jonas representava para Nínive: a oportunidade de ouvir a palavra (através primeiramente do testemunho) e de se arrependerem.
Que cidade era Nínive?
·         A palavra hebraica usada para descrevê-la é gadol, grande (aparece várias vezes na narrativa).
·         Fundada por Ninrode (Gn 10.8), bisneto de Noé
·         Principal cidade da Assíria.
·         Populosa e bem fortificada, a maior potência mundial da época.
·         A ameaça mais inquietante e duradoura à segurança e à sobrevivência de Israel.
·         A cidade do pecado (de acordo com Naum, 150 anos mais tarde, os pecados de Nínive incluíam tramar contra do Senhor, crueldade e saques de guerra, prostituição e bruxaria – Na 1. 11; 2.12,13; 3.1,19)
A mensagem de Deus à cidade de Nínive é uma exortação acerca de seus caminhos pecaminosos, procurando apartá-los da destruição. Ilustra a grande misericórdia de Deus!
Que mundo estamos vivendo?
·         Globalizado – o mundo se tornou uma grande aldeia
·         Inversão de valores
·         Desigualdades sociais
·         Violência
A mensagem da família cristã para o mundo de hoje é a mensagem de um Deus que salva, mas também é uma exortação acerca do julgamento de Deus que virá sobre cada um no dia do Juízo.
Verso 3: Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do Senhor para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor. Jonas 1:3
Um homem de Deus fugindo de Deus!
A frase repetida demonstra algo intencional, deliberado (levantou, desceu, achou, pagou, desceu)! Jonas não argumenta com Deus como Moisés na sarça ou como Elias no deserto quando fugia de Jezael e Acabe. Jonas foge!
A postura de fuga de Jonas é a nossa postura cada vez que pecamos, seja em pensamento, palavra ou ação, seja algo que consideramos grande ou pequeno. Cada vez que pecamos estamos dizendo a Deus: “minha maneira de administrar esta situação em particular é melhor que a sua. ” Quando pecamos não escolhemos acreditar que não há Deus, mas sim que nós mesmos somos deus. Jonas pensou que se não advertisse a cidade Deus iria destruir os habitantes da cidade, inimigos de seu povo, Jonas quis administrar a situação.
Jonas estava tão decidido a salvar seu povo à sua maneira, que abriu mão de estar na presença de Deus e mais na frente se lançou ao mar, sacrificando sua vida. Mas os sacrifícios de nada valem sem a obediência à Palavra de Deus.  (Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; 1 Samuel 15:22b). É inútil fugir do Senhor! (Sl 139.7-12)
Deus deu uma missão à Jonas, e ele fugiu, apesar de conhecer o Deus a quem servia.
Da mesma maneira, Deus deu a cada membro da família uma missão. Aos pais a missão de ensinar, caminhando junto, o caminho em que se deve andar, a palavra de Deus (Pv 22.6; Dt 6.4-7); prover suas necessidades (Lc 11.11); colocar limites (Pv 29.17); não irritar os filhos (Ef 6.4). Aos maridos a missão de ser o cabeça da esposa e do lar, de amar a esposa como Cristo amou a igreja (Ef 5.23,25). Às esposas a missão de ser sujeita ao marido como ao Senhor (Ef 5.22 – notar o verso 21). Aos filhos a missão de obedecer e honrar aos pais, mandamento com promessa (EF 6.1-3).
Quantos membros da família cristã tem deliberadamente fugido da presença do Senhor para não cumprir a missão que Deus lhes ordenou?
Verso 4: Mas o Senhor mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma forte tempestade, e o navio estava a ponto de quebrar-se. Jonas 1:4
Deus mostra a Jonas quem estava no controle. A tempestade foi enviada por Deus para libertar Jonas de Jonas.
O Deus de toda criação é capaz de num piscar de olhos preparar uma enorme tempestade. E vemos nos Evangelhos que também é capaz de acalmar a tempestade num instante.
De novo vemos a palavra hebraica gadol para descrever o vento e a tempestade que Deus envia em resposta à fuga de Jonas. Mas a tempestade não é punição; é uma intervenção, trazida pela afeição de Deus e não por sua ira. Foi um ato de misericórdia de Deus. Deus confronta a fuga humana de uma forma direta e poderosa. Jesus é a tempestade em resposta à fuga e à rebelião humana (Iniciada no Éden Gn 3.8), é a graciosa intervenção de Deus para aqueles que estão aprisionados em si mesmos. A misericórdia de Deus é enorme, Ele nada poupa para ir atrás daqueles que fogem.
Quando fugimos de Deus, quando fugimos das nossas responsabilidades enquanto membros de uma família, é mais provável que sua resposta seja tempestuosa e inquietante do que discreta e calma. Ele sabe como nos fazer miseráveis, por amor a nós. Deus com frequência usa algum tipo de tempestade não para punir, mas para intervir misericordiamente.
Até que vejamos as tempestades enviadas por Deus como intervenções e não como punições, nunca melhoraremos; somente nos tornaremos mais amargos. Alguma situação difícil que nossa família enfrenta agora pode muito bem ser uma tempestade de misericórdia enviada por Deus com o propósito de intervir em nossa família.
Verso 5: Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, e lançaram ao mar as cargas, que estavam no navio, para o aliviarem do seu peso; Jonas, porém, desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono. Jonas 1:5
Os marinheiros lançavam sua carga (sua sobrevivência) ao oceano enquanto Deus lançava sobre o mar a tempestade. Mas Jonas dormia! Quando fugimos da presença de Deus nos tornamos insensíveis às tempestades que as pessoas ao nosso redor enfrentam! Jonas fugiu da presença de Deus, desceu para Jope, desceu para o porão do navio, deitou-se e dormiu. Jonas estava entorpecido (inerte, paralisado).
Fugir de Deus traz um custo não somente para nós, mas àqueles que se encontram ao nosso redor. Em Atos 27 há a história de uma grande tempestade em que os marinheiros igualmente jogaram suas cargas ao mar e a esperança de sobrevivência era nula, mas havia no meio deles um homem de Deus, seguindo os planos de Deus e isso salvou a vida de todos. (Atos 27.22-24)
Tal como Jonas, ao fugirmos de Deus, ao fugirmos da missão que Deus nos deu enquanto membros de uma família e do corpo de Cristo, nos deixa insensíveis, e colocamos a vida dos que estão ao nosso redor, a vida dos que estão sob a nossa responsabilidade em grande risco. Quando fugimos de Deus em nossa missão enquanto família roubamos dos outros a benção que Deus iria dar a eles por meio de nós.
Verso 17: Preparou, pois, o Senhor um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe. Jonas 1:17
Gadol é a palavra hebraica novamente usada para descrever o peixe: grande!
Nesse ponto da história o foco não é Jonas e o peixe, mas Jonas e Deus. Não se trata de sobrevivência física, mas de renovação espiritual. Lemos em 2.1: “E orou Jonas ao SENHOR, seu Deus, das entranhas do peixe.”  O ventre do peixe não era uma prisão ou uma câmara da morte, mas um hospital temporário para a sua alma e uma proteção para seu corpo nas profundezas do oceano.
A história de Jonas é sobre nós, é sobre nossas famílias. Que durante o nosso sofrimento sejamos levados para a única fonte verdadeira de esperança duradoura e livramento.
 Conclusão: O tema gigantesco chama a atenção no livro de Jonas para coisas que são enormes. Sendo uma apresentação em narrativa dos evangelhos, a história revela, sobretudo, a expansividade de três coisas: o nosso pecado, a graça de Deus e a missão de Deus. Não há nada de pequeno sobre essas coisas.
·         Com exceção de Deus todos na narrativa são pecadores (Jonas, os marinheiros, os ninivitas), o pecado não faz acepção de pessoas. Também é assim no seio familiar. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Romanos 3:23
·         A graça de Deus é ainda mais expansiva que o nosso pecado. Toda a história de Jonas é o ir de Deus atrás dos fugitivos caídos, depravados. A graça de Deus promete dar-nos um novo começo. A prova da graça expansiva de Deus é a cruz de Cristo. Em Cristo todos os recomeços são possíveis.

·         A busca graciosa de Deus a Nínive é também uma imagem inesquecível da expansividade de sua missão. Deus está numa missão para transformar o mundo presente no mundo porvir. Isto nos mostra que Deus está interessado em pessoas de todas as tribos, línguas e nações. Mas ao redimir-nos, ao redimir nossas famílias e resgatar os relacionamentos perdidos, Deus não nos resgata simplesmente de nossos pecados; ele também nos resgata para fazer algo – para desenvolver o mundo ao nosso redor, para a glória de Deus. (Mt 28.18-20)

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