"A leitura faz ao homem completo; a conversa, ágil, e o escrever, preciso."
(Francis Bacon)
Concordo plenamente, por isso resolvi compartilhar aqui minhas leituras e algumas escritas baseadas naquilo que costumamente leio.
Sinta-se à vontade!

18 de dez de 2012

Natal


O Natal em mangá from Quenia Damata

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5 de dez de 2012

Os três D´s mortais


Conta - se a história de um sacerdote que servia uma pequena paróquia, em uma zona rural esquecida. Amava a sua gente e era amado por ela; fazia o trabalho de Deus com muita eficiência - tanta eficiência, de fato, que dois demônios foram designados por Satanás para importuná-lo e arruinar de alguma forma o seu ministério. Tentaram todos os métodos de sua sacola de artimanhas, mas não tiveram êxito. O tranquilo sacerdote parecia estar além de seu alcance. Por último, pediram uma reunião com o próprio Diabo.

"Tentamos de tudo", explicaram os demônios, especificando seus esforços. Satanás ouviu e então deu o seu conselho: "É muito fácil. Dê-lhe a notícia de que seu irmão foi promovido a bispo".

Os demônios olharam um para o outro. Parecia simples demais. Esperavam algo mais diabólico. Mas não custava tentar. Nada mais havia funcionado.

2 de dez de 2012

Oração do Senhor...


Texto Bíblico

Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
o pão nosso de cada dia nos dá hoje;
e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores;
e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. {Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.}” 
Mateus 6:9-13

Não há nada de circunstancial, acaso ou aleatório nos atos da Trindade Divina. Nada que a Trindade, isto é, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo fez, faz e fará é desprovido de propósito.  Há sabedoria em cada palavra, em cada ação. Todos no mundo estão a serviço de Deus, quer acreditem na existência Dele ou não, nada escapa à Soberania da Trindade.

A Bíblia Sagrada não está aqui no mundo para provar a existência de Deus, mas o propósito de Deus é que a Bíblia contenha a revelação que Ele fez de si mesmo, a história da vida de Jesus, o Deus encarnado, a revelação máxima do Pai aos homens caídos no pecado. O mistério que reside nas Santas Escrituras é que não há revelação na simples leitura desse livro, não se algo estiver faltando. A Bíblia por si só, sem a revelação que o Espírito Santo de Deus faz não tem nada de novo a acrescentar. Não se encontra Deus sozinho, por esforço próprio. É preciso que o Espírito Santo de Deus revele o mistério contido nas Escrituras, é preciso fé.

A oração do Senhor, ou Oração do Pai Nosso, como muitas vezes é chamada, é conhecida por todos nós. Todos nós, evangélicos ou não, participamos em algum momento da nossa vida de uma reunião em que a Oração do Senhor foi declamada.  Como se fosse um mantra ou um simples poema bonito e universal, todos se dão as mãos e repetem mecanicamente palavras extraídas de um livro santo. Trechos da Bíblia Sagrada, repetidos de forma aleatória, sem propósito, vazios e sem significado. Sem o Espírito Santo, não há valor nem aprendizado nas palavras ditas.

A Oração do Pai Nosso é muito mais do que uma oração universal e ecumênica, ao ensiná-la aos seus discípulos, e a nós através daqueles discípulos, Jesus, a segunda pessoa da Trindade, pretendia muito mais, seus propósitos eram profundos e marcantes. Jesus estava ali a orar com seus discípulos, lado a lado com eles, mostrando o que havia de errado com o homem e de que maneira o homem seria redimido.
Nos versículos anteriores aos lidos, antes de começar a ensinar a orar, Jesus corrige aqueles homens, avisa-os que oração não é teatro, nem retórica, nem um modo de impressionar os homens e a Deus. Oração é o coração da vida com Cristo e ninguém vê o coração quando está trabalhando.

A oração começa então com “Pai nosso, que estás nos céus!”, Jesus inclui a si mesmo na oração. Estamos juntos, Jesus não assume uma posição distanciada, ele se inclui conosco, ele não fala muito sobre oração, ele ora conosco!  A oração não é solitária! Com a palavra “Pai” Jesus nos chama atenção do perigo de impessoalizarmos Deus, transformando-o em uma abstração. Deus é uma pessoa, é nosso Pai! Há relacionamento aqui, há amor. “Pai” como metáfora dá nome a uma pessoa, não a um objeto. Pai e filho, e filha, não são funções. São relações inigualáveis de sangue.

“Santificado seja o teu nome ...” - Algo real está acontecendo! Deus tem um nome! Em todas as culturas, só possui um nome seres dotados de personalidade, vida e pessoalidade. E Deus não é anônimo, Ele se revela com um nome: Javé. Deus não é uma abstração, algo impessoal, Ele tem um nome, podemos nos relacionar com alguém que tem nome e cujo nome nós conhecemos. E esse nome é Santo! Santidade é a qualidade inigualável de alteridade (qualidade do que é outro, o contrário de identidade) que deixa Deus além e a parte de nós. Deus não é como nós. Não somos como Deus. O primeiro pecado continua a ser o pecado mais fundamental, é atrever-se a ser “como Deus” (Gn3.5). Tentamos fazer isso rebaixando Deus ao nosso nível, reduzindo-o à nossa imagem, tomando o seu santo nome em vão.  Tentamos assim nos livrar do santo.  Quando oramos pedindo que Seu nome seja santificado, estamos pedindo que se remova das palavras usadas para chamar a presença de Deus qualquer mancha de sacrilégio, para purificar das imagens que enchem nossa mente de qualquer sugestão de idolatria até que Jesus e Cristo digam a verdade clara acerca de Deus.

“Venha o teu Reino...” – Reino é uma metáfora para um mundo governado por um soberano, um rei. Ao utilizar isso na oração abrangemos tudo e a todos: geografia, clima, estações, pessoas e povos, sistemas políticos, economias, tudo! As primeiras palavras de Jesus quando lançou seu ministério púbico foram: “O tempo é chegado (...) O Reino de Deus está próximo” (Mc 1:15) O Reino de Deus que Jesus anuncia como presente, aqui e agora compreende a tudo e a todos. Não há nenhum outro mundo. Há elementos no mundo que estão em rebelião contra o Reino. Há partes do mundo que desconhecem o Reino. Mas o que Jesus inaugura e proclama é realidade atual e abrangente. Nada ocorre fora do Reino de Deus. Quando oramos “Venha o teu Reino” identificamo-nos e oferecemo-nos como participantes neste mundo em que Deus governa em amor e salvação.

Vivemos num país democrático e nos consideramos afortunados por vivermos num governo eleito, não imposto, que melhor atende à condição humana. Pode ser sim algo bom, mas corremos o risco de pensar que o melhor governo, incluindo o de Deus, funciona sobre bases democráticas, é um hábito difícil de romper. Deus não é um presidente ou primeiro-ministro de uma democracia. Deus é rei. “O Senhor reina; está vestido de majestade. O Senhor se revestiu, cingiu-se de fortaleza; o mundo também está estabelecido, de modo que não pode ser abalado. O teu trono está firme desde a antigüidade; desde a eternidade tu existes.” Salmos 93:1-2. Deus é soberano. Mas não há nenhuma analogia terrena ao trono e ao reinado de Deus. Não é imposto, não é tirânico. Todas as nossas necessidades e anseios, nossas lágrimas e desejos, nossas petições e louvores são absorvidos pelo reinado de Deus. É uma soberania que convida nossa participação. A soberania impaciente de um ditador não permite a não participação. A soberania de nosso Pai pacientemente, misericordiosamente, espera uma obediência que adora. Compartilhamos seu reinado, mas é seu reinado. Muitas parábolas de Jesus nos fornecem uma idéia desse reino, mas é um mistério como Deus exerce sua soberania, pois o seu reino não é deste mundo. Cristo é rei, verdadeira e literalmente, mas numa cruz.

“...seja feita a tua vontade...”  A terceira petição da oração está completamente inserida no contexto da vida de Jesus. Maria orou essa oração quando recebeu a espantosa notícia da concepção milagrosa, Jesus no Getsêmani fez a mesma oração.  Ambas foram atendidas. Não podemos retirar a oração “Seja feita a tua vontade” do contexto da vida de Jesus, para depois usar como bem entendemos. A expressão “a vontade de Deus” tem sido alvo de muitas interpretações erradas, sem enraizamento bíblico. Muitas vezes é usada como apenas um clichê desprovido de conteúdo. Mas a Bíblia é muito clara sobre o assunto. Usar a palavra “vontade” em relação a Deus em nada difere do modo normal em que usamos a palavra entre nós. Vontade relaciona-se com intenção, com propósito. Paremos de especular sobre a “vontade de Deus” e a simplesmente cumpramo-la, como fez Maria, como fez Jesus. “Vontade de Deus” é uma questão de obediência cheia de fé.

“...assim na terra como no céu.”  - O céu é o lugar onde tudo começa. O céu é o lugar onde tudo termina. O céu é a nossa metáfora para aquilo que está além de nós, além de nossa compreensão, além do que podemos ver, ouvir, provar e tocar, além e fora do alcance daquilo que podemos controlar. A terra é onde desempenhamos a nossa parte, o lugar onde o que não vemos e o que vemos se unem e se tornam criação, salvação e santidade. As realidades céu e terra se fundem: “...assim na terra como no céu.” Na linguagem que aprendemos nas Escrituras e com Jesus, o céu e a terra são distintos, mas não separados. O céu e a terra são uma unidade orgânica (diz respeito a organismo, algo vivo que tem funcionamento). Nenhuma parede de ferro os separa. Tudo no céu – a beleza, a bondade, as aleluias, os améns, a santidade, a salvação, o cavalo branco e os 24 anciãos, o Cordeiro que foi morto e as bodas, a cidade quadrangular e o rio da vida – tudo ocorre na terra. A oração não é uma fuga do que está acontecendo ao nosso redor. É uma participação corajosa em cada detalhe terreno.

“Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.” Somos criaturas de carne e sangue, precisamos de pão para viver. Pão diário. Comida. Somos seres humanos criados à semelhança de Deus, seres espirituais destinados à glória celeste – mas a primeira coisa de que necessitamos é de pão, juntamente com os princípios básicos associados ao abrigo, vestuário, etc. Não somos anjos. Orar pedindo pão é o reconhecimento da nossa necessidade. Temos um lugar na criação de Deus, onde todos e tudo se relacionam. A oração que pede pão é a nossa declaração de dependência. Mas não gostamos de depender de ninguém nem de nada. Quando compramos o que precisamos, assumimos o controle de nossa vida. Substituímos um senso de necessitar de algo por um senso de posse, e assim desaparece o senso de precisão. Por isso o consumismo é o narcótico que cega a consciência de estarmos em necessidade. O dinheiro anestesia nosso senso de necessitar das coisas. Eles nos põem no comando, no controle. Mas as necessidades não são limitações que nos prejudicam, rebaixam ou enfraquecem nossa vida. As necessidades preparam-nos para receber o que só pode ser recebido como presente: a graça de Deus. Os limites não nos limitam de sermos inteiramente humanos, eles nos limitam de sermos Deus. Nossas necessidades são um convite contínuo a vivermos em uma realidade de doação de presentes. “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta” (Mt 7:7). Deus dá. A vida é um presente. Você poderia nunca ter existido, mas você existe, porque a festa não estaria completa sem você. Dar e receber é norma da criação de Deus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu...” (Jo 3.16).

“Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.” - A graça em que estamos imersos é continuamente obscurecida pelo pecado, o oposto da graça. O pecado é antipresente e antipessoal. O pecado rompe um relacionamento vivo. Em vez de receber, tiramos à força. O mundo da graça, que requer de nós disposição para pedir humildemente e receber gratamente, é deixado de lado em troca de um mundo impessoalizado de manipulação, violência, eficiência e controle. As palavras são impessoalizadas em propagandas, o sexo é impessoalizado em pornografia, a política é impessoalizada em opressão, o poder é impessoalizado em guerra. É o que mais fazemos, e assim, carecemos de perdão.

Pecado não deixou de ser pecado no mundo do politicamente correto. Pecado é a palavra genérica para o que está errado conosco e com o mundo. Parece não ter fim a criatividade com que a humanidade trata mal o mundo e aos outros. Mas desmascarar e classificar o pecado não estão no centro da vida vivida para a glória de Deus. O sensacionalismo não é obra do evangelho. A condenação dos pecadores não é a obra do evangelho. O perdão dos pecados é a obra do evangelho. Quando nos vemos diante da confusão do pecado, Jesus ora conosco. Ele une-se a nós onde estamos, atolados na lama do pecado “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” 2 Co 5:21. Ele toma seu lugar ao nosso lado e nos convida a orar como ele: “Perdoa-nos...” Deus trata do pecado perdoando-nos.

O pecado mata. O pecado mata os relacionamentos. Não pecamos contra um mandamento, pecamos contra uma pessoa. O pecado não é uma violação da lei da terra ou das regras de uma casa; o pecado é uma violação de um relacionamento pessoal (com Deus e com o próximo).
O pecado mata a intimidade da alma inerente na criatura criada à imagem de Deus que nós somos. O pecado é mortal, sintetizado nos “sete pecados mortais” (Gula, Avareza, Inveja,Ira, Soberba, Luxúria, Preguiça). Parte de nós morre quando pecamos. Não estamos mais numa relação viva com o Deus vivo, com o cônjuge vivo, com o filho vivo, com o próximo vivo. Não há remédios capaz de trazer os mortos de volta à vida. A única maneira de tratar com o pecado é pela ressurreição. O perdão de Jesus Cristo é ressurreição, é vida dentre os mortos. Não podemos fazer nada por nós mesmos em relação ao pecado, somente a ressurreição traz de volta à vida aquilo que morreu por causa do pecado. Somente a ressurreição de Jesus Cristo traz de volta à vida aquilo que matamos com o nosso pecado.

Assim, Jesus fica ao nosso lado e ora conosco: “Perdoa-nos”. E Ele confia que faremos o melhor possível naquilo que Ele faz de melhor:assim como perdoamos aos nossos devedores.” Há uma conexão entre o que Deus faz e o que você faz. Você não pode obter perdão de Deus se não perdoar os outros. Se recusar a fazer sua parte você estará separado de Deus. Mas Jesus Cristo, legitimamente te incentiva a perdoar, pois ele já montou o palco, estendendo o perdão a todo aquele que se arrepende e crê.

“E não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal...” – As cinco primeiras petições são feitas a partir de uma atividade presente, de Deus e nossa, das circunstâncias de nosso cotidiano. Mas há mais. A sexta petição estende-se para o futuro e prepara-nos para aquilo que ainda não sabemos: tentações imprevistas e males enganosos. Jesus nos une a ele em uma oração por algo que ainda não assumiu nenhuma forma identificável e pode facilmente não ser reconhecido e percebido. Mas Ele assegura-nos de que podemos contar com Ele para atender à nossa oração: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo". João 16:33

Perigos sem a aparência de perigos estão por toda parte. Na maior parte dos casos, sabemos quando pecamos. E, se não sabemos, nossos pais, filhos e vizinhos o sabem, e logo nos mostrarão que sabem. Mas a tentação e a provação, os testes e o mal estão em uma classe diferente. A tentação e o mal quase sempre aparecem disfarçados como bons e bonitos e nos pegam desprevenidos, nos tomando de surpresa. Uma pessoa boa em um lugar bom não é nenhuma garantia de ausência de tentação, a história de Eva no Jardim do Édem nos mostra isso. Uma pessoa boa com uma boa obra não é nenhuma garantia de ausência de tentação, a história de Jesus Cristo nos mostra isso. Nunca sabemos quando ou de que maneira enfrentaremos a tentação, seremos provados ou nos veremos enredados pelo mal. Assim, Jesus ora conosco pedindo a Deus que faça por nós o que não somos capazes de fazer por nós mesmos.

“...porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.” – Com Jesus ao nosso lado, orando conosco, sabemos onde estamos. Estamos prontos para seguir a Jesus sem indecisão. Tudo agora está nas mãos do Pai, confiamos que Deus fará com nossas orações o que quer que escolher, como e quando quiser. Todas as nossas intenções, nossas experiências e nossa energia estão agora na oração. Há uma liberdade incrível em se entregar e seguir a Jesus, pois o nosso futuro está nas mãos de quem tudo pode.

A oração do Senhor nos envolve pessoalmente com a ação de Deus no presente. As palavras que usamos no dia-a-dia são as mesmas usadas na oração. Jesus quando subiu ao céu nos enviou o Consolador, o Espírito Santo que nos ajuda a orar quando não sabemos como orar. Deixe que o Espírito Santo de Deus renove sua linguagem para que suas orações sejam significativas e cheias de propósitos, o propósito de Deus.
 Arrependa-se e aceite Jesus Cristo como aquele que te trará de volta à vida, trará de volta à vida os seus relacionamentos mortos (com Deus e com o próximo), aceite Jesus como o seu salvador. E assim, você estará pronto para retomar a intimidade com Deus, com o seu próximo e consigo mesmo, e viver uma vida de liberdade e descanso.


Bibliografia: A linguagem de Deus - Eugene Peterson